Pressupostos Psicológicos da Idade Média
Compreender a historia, torna-se uma tarefa árdua e ineficiente se
primeiro não fizermos um trabalho de busca pela compreensão do
homem como agente da história, e isto não significa que tal
compreensão se fará de forma totalitária, haja visto que aquilo
que compreendemos como historia do homem, representa apenas 1 por
cento de todo o seu período de experiências na luta pela vida e
domesticação da natureza que o rodeia, devemos necessariamente
entender que a análise de todos os registros disponíveis, de todas
as lendas ou mitos que se construíram ao longo de todo este vasto
período, não terá para nosso estudo, o significado de entendimento
se não percebermos que o indivíduo porta consigo valores
psicossociais altamente relevantes na construção de sua história,
por isto é preciso buscar, ainda que se mostre tarefa árdua,
conhecer as forças motivadoras que criaram comportamentos e
acatamentos individuais e coletivos, tais como os processos de
educação da idade média, tão envoltos em mistica poderosa quanto
em uma busca pela acomodação de forças psíquicas fundantes do
gênero humano e sua dinâmica psicossocial.
Na obra Psicologia de Grupo, Freud descreve a psicologia do
grupo como um fator externo a psicologia individual, porem
constituída de vários indivíduos e suas próprias construções
psicológicas, nesta direção, postula o autor, o indivíduo quando
mergulha no grupo sobre uma influencia do todo que é o grupo e tem
seus comportamentos sociais alterados em função de um corpo
psicológico comum do próprio grupo. Se analisarmos a história da
evolução social do gênero humano, perceberemos que desde os
momentos primeiros, que para nosso objeto de estudo colocaremos nas
proximidades da revolução neolítica, entenderemos muitos dos
processos que se deram na construção da pedagogia da educação no
período da idade média. Percebamos que o homem em sua necessidade
de sobrevivência, era nesta época, nômade e vivia primordialmente
da caça, suas atividades segundo, J.I.Parker em sua obra O Mundo
do AT, estavam estruturadas de
maneira que ele pudesse viver em busca dos rebanhos e das manadas em
seus processos migratórios, todo o bando compartilhava suas
estruturas destinadas a caça durante gerações e isto criava um
comportamento coletivo voltado para a vida nômade. Porem em um
determinado momento, este homem descobriu a agricultura e começou um
processo de assentamento na terra, ele plantava e domesticava
animais, alterando seu comportamento social. Começam a aparecer
neste cenário as organizações religiosas, este homem que convive
com as incertezas da semente plantada, entregue as vontades de uma
natureza desconhecida e imprevisível busca no desconhecido
misterioso, respostas para suas inquietações.
Para J.I.Parcker,
Os
estados religiosos arcaicos tiveram início como comunidades
agrícolas que possuíam seus próprios rituais religiosos. Aos
poucos, o culto local e seus oficiais iam assumindo o controle da
aldeia. A comunidade inteira se consagrava ao deus do ritual, e
logo esse culto ou ritual praticamente se assenhoreava da
comunidade. Adoravam-se deuses e deusas agrícolas. Seus rituais
seguiam o ciclo agrícola anual.
1 (PACKER,2002)
Formava-se no homem uma estrutura psicológica religiosa
que abarcava toda a comunidade, influenciando e sendo influenciados
uns pelos outros dentro da psicologia do grupo. Com os estados
posteriores da psicologia da religião até o período da idade
média, sagrado e profano não existia, e a divindade estava
presente em todos os segmentos da vida e era a estrutura psicológica
religiosa que impulsionava o indivíduo através de seus processos
psíquicos, herdados e construídos ao longo do tempo, para o
cotidiano de cada um e da sociedade na compreensão e dominação das
forças da natureza, que pareciam conspirar contra a existência
humana nos seus momentos de crise diante das intempéries e
moléstias naturais de cada época.
Estes processos de organização e formação da
psicologia de um povo, ou até mesmo de uma época tornam todos os
indivíduos iguais em um determinado ponto de sua formação, estas
forças libidinais, segundo o conceito Freudiano, estão escondidas
em estruturas mentais tão profundas que nem sempre o indivíduo tem
conhecimento que as possui, nestes termos,generais e soldados,
senhores e vassalos, reis e súditos apresentam um determinado
sistema de valores que lhes são comuns. O que queremos dizer com
isto é que, embora os interesses políticos e econômicos sempre se
mostraram presentes nos grandes eventos da sociedade medieval, nem
tudo se pode atribuir a estas forças motoras, mas muitas vezes,
opressores e oprimidos se moviam impulsionados por um mesmo sistema
de crenças e verdades construídos ao longo de milênios e que se
arraigaram nas estruturas psicossociais de uma mesma civilização.
Desta forma, sistemas foram construídos, dogmas foram forjados,
símbolos foram criados, contratos foram firmados na difícil tarefa
de negociar com os deuses de cada época, através da troca da
obediência pela segurança e subsistência da espécie. Nestes
mesmos termos se construiriam os caminhos da intelectualidade e da
educação.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÀFICAS
FREUD, Sigmund. Obras
psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard
brasileira vol XVIII. Rio de Janeiro, 1996:Imago. p. 81-97.
PACKER, James I,
TENNEY, Merryll G, JR,Willian Write. O mundo do Antigo testamento.
São Paulo 2002:Vida
FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média : nascimento
do ocidente. 2. ed. São Paulo : Brasiliense, 2001.
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PACKER, James I, TENNEY, Merryll G, JR,Willian Write.
O mundo do Antigo testamento.
São Paulo 2002:Vida